Uma Produção de CordaSonora

O Livro do Rei

Cantigas de Santa Maria - Alfonso X, o sábio

The Wandering Bard Ensemble

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O Livro do Rei

“O Livro do Rei” apresenta a odisseia íntima entre o rei Alfonso X, o Sábio, e as Cantigas de Santa Maria, a sua monumental coleção de mais de 400 cantigas dedicadas a Santa Maria e aos seus milagres. Utilizando como fio narrativo as cantigas do rei escritas na primeira pessoa, The Wandering Bard traça uma viagem autobiográfica desde o prólogo de abertura do livro até ao seu último poema, guiando o público pelo percurso desta majestosa obra e pelas reflexões do rei sobre a fé, a arte, o legado e a graça de uma poderosa mulher. Uma obra que testemunha a profunda ligação entre o rei e a Santa, revelando a sua devoção e a fé que nela deposita, e na qual o próprio Alfonso X expressa a esperança de que ela o acolha um dia.

“O Livro do Rei” presents the intimate odyssey between King Alfonso X, the Wise, and the Cantigas de Santa Maria, his monumental collection of more than 400 songs dedicated to Saint Mary and her miracles. Using the king’s first-person cantigas as a narrative thread, The Wandering Bard traces an autobiographical journey from the book’s opening prologue to its final poem, guiding the audience through the course of this majestic work and the king’s reflections on faith, art, legacy, and the grace of a powerful woman. It is a work that bears witness to the profound bond between the king and the Saint, revealing his devotion and the faith he places in her, and in which Alfonso X himself expresses the hope that she will one day receive him.

“E os médicos mandavam-me pôr
panos quentes, mas não o quis fazer.
Mas mandei o Livro dela trazer,
e puseram-mo, e logo fiquei em paz.

— CSM 209: Muito faz grand’ erro e en torto iaz

Alfonso X, o Sábio.

Talvez não seja o primeiro rei a mostrar um imenso interesse e apoio à cultura, artes, música, astrologia e história. Mas certamente o fez mais que os seus antecessores na Península Ibérica. Porque não se é lembrado, sem mais nem menos, com o epíteto de “o Sábio” – e – “o Astrólogo”.

Este rei encontra-se na génese de muitíssimas obras de ciência, arte e literatura enquanto participante dedicado. Mas Alfonso X não só encomendou traduções, ou atribuiu a académicos a tarefa de escrever estes documentos, como também ele próprio participou no processo de criação de muitos manuscritos, como é o caso das Cantigas de Santa Maria. E dentro das quase 430 cantigas, algumas não só lhe são atribuídas, como estão também escritas na primeira pessoa, na visão do próprio rei, recordando momentos da sua vida, tornando esta coleção de cantigas parcialmente, como alguns referem, numa “autobiografia poética”.

Além das narrações em primeira mão, los libros de los cantares de loor de Sancta Maria trazem-nos o modo de vida das gentes medievais através dos milagres de uma poderosa mulher, e como o povo vivia em torno disso. Os e as protagonistas das cantigas vêm de todas as origens. A ricos e pobres, reis e povo, músicos e padeiras, jovens e idosos, Santa Maria concedeu a todos um milagre; e Alfonso X não deixou de fora pessoa alguma, porque os milagres até mesmo davam uma lição  ao clero.

Portanto, Alfonso X, o Sábio, e os seus estudiosos, jograis e segréis, a quem o rei faz questão de reconhecer em praticamente todos os manuscritos das Cantigas, através das suas representações em riquissimas iluminuras, colecionaram e recontaram cerca de 400 histórias atribuídas neste livro a Santa Maria. 

Milagres estes que aconteceram por toda a Ibéria, alguns mesmo pela Europa fora, seguindo uma forma poética desenvolvida quer simultaneamente em geografias de Al-Andalus e Occitânia, quer colectivamente por lugares espalhados pela Ibéria fora durante a era da Convivência; em galaico-português, língua que manteve a sua tradição poética intacta por centenas de anos antes do rei; a melodias que por vezes soam gaélicas, por vezes sefarditas, e por vezes simplesmente ibéricas, para partilhar a sua devoção a uma mulher, que foi chamada de Virgem, ou Donzela, que foi Mãe, que foi vista como uma mulher que ajuda, uma Criada, e Rainha: Dona das donas, Sennor das sennores.

Quem não gostaria de saber mais sobre isso?

Esin Yardimli Alves Pereira, The Wandering Bard

Cantigas de Santa María, Códice rico, RBME. Patrimonio Nacional

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Dar Som
à História

Instrumentos de época

Para refletir o espírito da época, os membros do The Wandering Bard tocam instrumentos representados em manuscritos e esculturas do período em que as Cantigas de Santa Maria foram escritas.

Hagadá Dorada, MS 27210, British Library
Túmulo de Dona Inês de Castro no Mosteiro de Alcobaça,

Códice de los músicos, RBME. Patrimonio Nacional

Otrosi, mandamos que todos los libros de los cantares de loor de Sancta Maria sean todos en aquella iglesia do nuestro cuerpo se enterrare e que los fagan cantar en las fiestas de Sancta Maria.”
— excerto do testamento de Alfonso X, o Sábio (1221-1284)

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Excerto do concerto “O Livro do Rei” realizado na Igreja de Santiago, Monsaraz, 19 de Outubro de 2025

Esin Yardımlı Alves Pereira — direção artística, vielle, canto, harpa medieval
Ricardo Alves Pereira — direção artística, alaúde, canto,  percussão e comentários
Ruben Leonardi — percussão, canto

Cantigas de Santa Maria, Códice de los músicos, Códice rico, RBME. Patrimonio Nacional

MISSÃO E VISÃO DO THE WANDERING BARD: LIGAÇÃO COM O PÚBLICO

Acessibilidade

Durante o concerto, breves comentários contextuais entre as obras guiam o público através da poesia, dos manuscritos e das escolhas interpretativas, acolhendo tanto especialistas como novos ouvintes curiosos no mundo da canção medieval ibérica.

Os materiais visuais e os textos traduzidos para linguas modernas disponibilizados pelo The Wandering Bard facilitam a acessibilidade para públicos internacionais, seja através de projeções ou programas de concerto impressos.

Meet & Greet: Após o concerto, realiza-se um encontro informal com os artistas, permitindo ao público conversar com os músicos, colocar questões e aprofundar a ligação criada durante a performance.

“Aprender é partilhar”

Com o objetivo de fortalecer a ligação do público à performance, podem ser realizadas duas apresentações prévias ao espetáculo: a primeira dedicada ao enquadramento histórico, geográfico e cultural do repertório e das pessoas que lhe deram origem; a segunda dedicada à apresentação dos instrumentos medievais utilizados e à explicação da sua sonoridade, função e contexto.

Para The Wandering Bard, aproximar o público dos instrumentos, dos manuscritos e das pessoas que deram origem a esta música é também partilhar o entusiasmo por este universo. Aprender torna-se, assim, uma forma de ligação entre passado e presente, e uma alegria vivida em comum.

The Wandering Bard

Música Medieval viva

Fundado e dirigido por Esin Yardimli Alves Pereira e Ricardo Alves Pereira, também responsáveis pelos festivais portugueses de música medieval CMML e DMMB, The Wandering Bard é um ensemble dedicado à interpretação historicamente informada, ancorada em fontes manuscritas. Reconhecido por performances precisas, envolventes e semi-encenadas, o ensemble alia arranjos distintivos resultantes da investigação histórica a uma forte criatividade musical, com narração contextual e comentários que tornam a música medieval rara relevante para o público atual. Enquanto os seus álbuns alcançam milhares de ouvintes em todo o mundo, o ensemble convida regularmente especialistas e artistas de renome, como Eduardo Paniagua e Fernando Ribeiro (Moonspell), para formações variáveis em palco.

Com base na investigação e recuperação musical de Esin e Ricardo, The Wandering Bard, conta com a apresentação ao público de mais de cem Cantigas de Santa Maria de Alfonso X, o Sábio, obras do Livro Vermelho de Montserrat, Cantigas de Amigo de Martin Codax do Pergaminho Vindel na sua íntegra, e cantigas seculares de dezenas de trovadores e jograis da Península Ibérica. A sete de janeiro de 2025, data que assinalou os setecentos anos após a morte de D. Dinis, o Rei Trovador, o ensemble estreou a investigação musical de Esin e Ricardo sobre as sete Cantigas de Amor atribuídas ao Rei-Poeta, recuperadas a partir do Pergaminho Sharrer.

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Booking

“O Livro do Rei” está disponível para agendamento.

A formação do ensemble The Wandering Bard é ajustável (2 a 6 músicos), mantendo sempre a integridade total do repertório.

“O Livro do Rei” é um projeto escalável, que pode ser adaptado a formações de maiores dimensões, em articulação com a entidade anfitriã.

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☎️ +351 965642540